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Domingo
Por Marilena Esberard de Lauro Montanari
Almoço na casa da sogra.
Os homens cochilam.
As mulheres lavam suas mágoas na louça da pia.
O futebol como música.
O baralho como esporte.
A solidão disfarçada na matinê do cineclube.
O sol na piscina colorindo mentes desbotadas.
Aparentemente felizes e saudáveis.
Mas tristes como a palavra não dita.
Vulcões de lavas adormecidas entre lençóis
imaculadamente brancos na vida comportada.
Tédio.
Os programas de TV pasteurizados.
As videocassetadas fingindo graça
na desgraça dos outros
como o grande prazer do dia.
Que nunca termina.
Tarde.
A viagem adiada.
A mesmice. As desculpas.
Os congestionamentos na serra.
A distância, a gasolina, a falta de companhia.
Os projetos não resolvidos.
A vida fluindo sempre igual.
Domingo.
Tédio das tardes de domingo...
Marilena Esberard de Lauro Montanari é mestre em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. Tem artigos espalhados em revistas e folhetins; atua em empresas como consultora para a produção de textos e instrutora de cursos de Redação e Gramática. Publicou o fichário SOS-Língua Portuguesa, em parceria com Edna Maria Barian Perrotti
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