Algo A Dizer
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Sonho libertário

Por Luca Barbabianca

A leitura/releitura recente (entre novembro e dezembro passados) dos textos deA Mosca Azul, de Frei Betto, inspiraram-me (melhor diria se dissesse que me instigaram) a prender no formato rígido dos catorze versos do soneto algumas idéias ali explicitadas, mormente aquelas que valem por denunciar as injustiças nascidas da ideologia dominante que mantém inalterado ostatus quo com o poder na mão de poucos e com muitos destituídos de quaisquer direitos da cidadania. Será que essa democracia política, mas não econômica, porque ao privilegiar um terço da humanidade condena os outros dois terços à exclusão; será que essa é a democracia que desejamos para nossos filhos e netos e para as gerações futuras? Eis a reflexão que estou propondo numa série de dez sonetos. Na edição de janeiro saiu o primeiro deles: A Mosca Azul ou O Pão e o Circo. Na de fevereiro saiu o segundo: Vício estrutural. Na de março, publicou-se o terceiro: Sofisma. Na de abril, editou-se o quarto: Tua responsabilidade. Na de maio, apareceu o quinto: Esquizofrenia. Nesta edição de junho publica-se o sexto:

 

Eu, só com meus botões, às vezes cismo

nos porquês de haver fome pelo mundo

e, após pensar, julgo que são, no fundo,

contradições do neocapitalismo.

 

Sem ser este saber o mais profundo,

nos revela a distância de um abismo

entre o ideal e o falso moralismo,

entre aridez e germinar fecundo.

 

Sem democratizar a economia

não se constrói valor humanitário.

Temos que fazer da cidadania

 

o alimento do sonho libertário

de um Estado-síndico da maioria

e acima do poder discricionário.

 

(Inspirado pela leitura de A Mosca Azul, reflexões sobre o poder, de Frei Betto, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2006, págs. 274/275)

Luca Barbabianca é poeta e cronista. Seu blog é o lucabarbabianca.zip.net e sua verve pode também ser apreciada, sem moderação, no recantodasletras.com.br

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Comentários
  Maria Lindgren
06/07/2013

Muito bom tema e soneto. Parabéns
 
  Valéria S. Dantas Lopes
17/07/2013

Pois é, por que a fome, a miséria humana e os excluídos, quando somos tão iguais quanto temos os mesmos direitos? Parece que há um vale imenso entre uns e outros. Isso é terrível. Parabéns, Luca! Adorei, como sempre. Abraço da Valéria.
 
 

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