Algo A Dizer
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Celebrar Outubro, problematizando

Por Muniz Ferreira

Antes mesmo que o movimento dos Annales desencadeasse uma profícua renovação historiográfica através da crítica ao caráter factual, descritivo, elitista e personalista vigente na historiografia dos finais do século XIX e princípios do século XX, tal abordagem já havia sido colocada em cheque pela tradição marxista. Desde os esboços de interpretação histórica ensaiados pelos jovens Marx e Engels em escritos como A Ideologia Alemã e o Manifesto Comunista, passando por obras maduras como o Dezoito Brumário de Luiz Bonaparte e os estudos engelsianos sobre as Guerras Camponesas na Alemanha, uma perspectiva metodológica e analítica perpassou toda a tradição em seus primeiros tempos: a que assinalava as classes sociais e suas lutas como motores fundamentais dos processos históricos e políticos e as classes revolucionárias como protagonistas das grandes transformações econômicas e sociais. Tal perspectiva não negava ou neutralizava a importância das personalidades individuais nos processos históricos, apenas condicionava a ação dos indivíduos no marco de uma realidade histórico-social preestabelecida pela ação de outros fatores objetivos sobre os quais, os atos individuais exerciam uma influência relativa. Uma caracterização sintética desta proposição pode ser encontrada na célebre definição marxiana, segundo a qual,

Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstancias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos.(1)

Tal premissa metodológica, incorporada, desde longa data, ao esforço interpretativo dos historiadores marxistas e demais analistas adeptos das abordagens histórico-dialéticas, tem constituído uma alternativa fértil à compreensão da história como emanação do gênio dos grandes personagens ou o resultado arbitrário dos desígnios de indivíduos privilegiados.
Entendo que a adoção de um enfoque analítico apoiado no método desenvolvido por Marx e Engels deve nos conduzir à busca da compreensão de grandes processos históricos, como aqueles nucleados pelo outubro russo de 1917, a partir do papel desempenhado pelos atores sociais coletivos, ao invés da performance individual das grandes lideranças revolucionárias. O que não implica, vale dizer, em eliminar o registro da participação destes naquele grande drama histórico, mas simplesmente inseri-los no âmbito geral do movimento das grandes forças políticas e sociais envolvidas.
Coerente com tal concepção, tomo como ponto de partida uma premissa fundamental: os grandes protagonistas do outubro revolucionário russo foram as massas revolucionárias daquele povo, cujo suporte central foi a aliança operário-camponesa, expressa organicamente no papel desempenhado pelos conselhos (sovietes) de operários, camponeses e soldados.
Admiti-lo significa recuperar, para a análise histórica, um componente habitualmente eludido na historiografia oficial soviética e também nas narrativas históricas produzidas por certas tendências marxistas alternativas, a saber, o peso da espontaneidade popular no processo revolucionário russo. Evocar tal dimensão nos remete aos primórdios da insurgência das massas russas no século XX, às emblemáticas jornadas de 1905, inesperadas e imprevistas pelas principais formações político-partidárias da esquerda daquele país, mas sobre a qual estas se atiraram ansiosamente, buscando apreender e liderar a novidade revolucionária inventada pelo povo da Rússia, a organização dos conselhos. Esta espontaneidade primordial encontrou suas manifestações discursivas mais significativas nos dísticos vocalizados pelas massas populares e as lideranças revolucionárias nos momentos fundamentais da crise que precedeu a ruptura revolucionária de outubro de 1917: “paz, pão e terra” e “todo o poder aos sovietes”.
Perceba-se que as palavras de ordem que mais empolgaram o operariado e o povo não se encontravam inscritas nos programas e nem integravam o repertório programático da esquerda socialista russa. Por esta razão, não aludiam expressamente à superação histórica do capitalismo, ao desencadeamento da transição socialista mundial ou a outra modalidade de exercício do poder revolucionário que não fosse a democracia dos conselhos. Como não perceber, nesta rica experiência, os traços dos projetos de autogestão das massas e organização política federalista e autônoma, tão característicos da primeira revolução proletária da história, a Comuna de Paris? Como não relacioná-la às proposições libertárias, por sinal, efetivamente presentes na constelação revolucionária russa de 1917, como nos apontam os relatos de Volin(2) e Makhnó(3)? Cabe a observação de que, o mesmo espírito auto-gestionário, autonomista e libertário que levou Marx, com sua acuidade analítica, a requalificar seu conceito de ditadura do proletariado em 1871, também contribuiu para que o Lênin de 1917, ainda que de forma conjuntural, também redefinisse o seu, como pode ser comprovado através da leitura de O Estado e a Revolução.
Com a assimilação da original experiência dos sovietes pela esquerda socialista russa, suas principais formações se perfilariam, com o tempo, entre os grandes construtores deste novo sistema de poder ou contra-poder revolucionário, produzindo, destarte, a combinação do impulso espontâneo das massas com o patrimônio organizativo e contra-hegemônico dos partidos socialistas. Falo conscientemente em partidos, no plural, em lugar de partido, no singular, de modo a enfatizar a contribuição comum, embora não consensual nem convergente, aportada por bolcheviques, esseristas(4) e mencheviques(5) – particularmente as alas esquerdas destas duas últimas formações políticas – à transformação dos sovietes em uma alternativa de poder na Rússia de 1917. Lembremo-nos que os atributos revolucionários dos sovietes nos termos antes mencionados recebera o reconhecimento de Lênin, que lhes concedera um posto central em suas teorizações sobre a democracia revolucionária e a ditadura do proletariado. Tal reconhecimento antecedeu o exercício da liderança política bolchevique sobre os conselhos. Recordemo-nos também que os bolcheviques só alcançaram uma posição majoritária no Congresso Pan Russo dos Sovietes às vésperas da insurreição de outubro e através de coalizão com mencheviques e esseristas de esquerda. Recuperemos o fato de que a derrubada do governo provisório e a tomada do Palácio de Inverno, conquanto efetivadas pela comissão militar bolchevique e à revelia da decisão do II Congresso Pan Russo dos sovietes, foi realizada em nome destes. O novo poder político cristalizado em seguida foi adjetivado como soviético em lugar de socialista ou bolchevique como vários de nós nos acostumamos a imaginar.
Outubro não é, portanto, um empreendimento puramente bolchevique como se convencionou dizer, porém soviético e desta maneira é também uma realização dos socialistas revolucionários e social-democratas de esquerda (mencheviques), para não dizer da contribuição dos libertários àquele triunfo, particularmente na Ucrânia.

Concretizada a vitória da sublevação revolucionária com grande apoio de massa e sancionada pelos sovietes, inaugurou-se uma nova conjuntura histórica. Neste novo momento, o desafio da continuidade e aprofundamento do processo revolucionário deveria equacionar as dificuldades decorrentes da intervenção estrangeira e da guerra civil, além da tarefa de consolidar e preservar a aliança operário-camponesa. A impossibilidade de obter o consenso em torno das respostas aos dilemas colocados abalou, antes de tudo, a própria unidade bolchevique. Incidentes como a divergência acerca do acordo de paz de Brest-Litovsky(6) exibiria as divisões entre os próprios partidários de Lênin, ensejando a adoção de medidas discricionárias internas como a proibição da formação de frações e o recrudescimento dos processos de centralização das decisões no seio da organização partidária. Porém, no âmbito das relações com as demais formações da esquerda russa, as implicações seriam piores.
A percepção da magnitude das ameaças externas e internas à consolidação do governo revolucionário, a redescoberta da maciça presença de esseristas e mencheviques no movimento dos sovietes e a votação minoritária dos bolcheviques na composição da Assembléia Constituinte levaram à adoção de medidas persecutórias e repressivas contra os próprios aliados da véspera. Como resultado, tivemos a dissolução da Assembléia Constituinte em janeiro de 1918, o afastamento dos socialistas revolucionários de esquerda do governo, a interrupção do apoio que estes e os mencheviques de esquerda concediam ao governo e finalmente a expulsão de mencheviques e esseristas dos sovietes.
O resultado prático destas iniciativas restritivas ao exercício da democracia revolucionária na Rússia pós-outubro foi a corrosão do consenso político no interior do partido bolchevique e do campo revolucionário. Processo assinalado de forma emblemática pela constituição da chamada “oposição operária”, encabeçada por personalidades representativas da política bolchevique, como Alexandra Kollontai e Nikolai Bukharin, e marcada dramaticamente pela sangrenta repressão ao soviete de Kronstadt. Por mais que tais iniciativas fossem compreendidas pelos lideres bolcheviques mais comprometidos com o projeto da democracia revolucionária como emergenciais e transitórias na época, tornar-se-iam as primeiras manifestações de um processo, no curso do qual, a ditadura dos sovietes seria substituída pela ditadura do partido. O esvaziamento do fator principal da democracia revolucionária ensejaria o desenvolvimento de tendências crescentemente despóticas e autocráticas na Rússia Revolucionária e na União Soviética. Seu momento culminante seria atingido sob a vigência do sistema de poder encabeçado por Stalin.
O deslocamento do eixo do processo revolucionário da esfera de atuação dos sovietes para o terreno, em cujo interior o partido exercia sua autoridade produziu conseqüências políticas e culturais. Se, no terreno da política, abortou o processo de desenvolvimento, pela primeira vez na história da Rússia, de uma autêntica experiência democrática, no âmbito cultural propiciou graves distorções nos processos de produção da memória e nas narrativas históricas sobre outubro. Anarquistas, esseristas e mencheviques foram estigmatizados, quando não expurgados dos relatos oficiais sobre o evento revolucionário russo e seus desdobramentos, e a performance dos partidários de Lênin passou a ser apresentada como a única efetivamente relevante e, por conseguinte, definidora da designação do evento que se consumou em outubro: a Revolução Bolchevique.
Na historiografia apologética que se produziu na União Soviética e também em certas narrativas alternativas de reivindicação marxista-leninista, elaboradas fora dela, a objetividade histórica cedeu lugar à polêmica política. Abjurando-se e desqualificando-se mutuamente como atores histórico-revolucionários, os porta-vozes da historiografia marxista militante convergiram, contudo, em um mesmo ponto: o tratamento conferido aos anarquistas, SR e mencheviques, as vertentes derrotadas da esquerda socialista russa.
Uma reposição histórica pautada na objetividade dialética e na honestidade histórico-política deverá, necessariamente, reconhecer que mencheviques e esseristas são co-autores, juntamente com bolcheviques e libertários, do ano revolucionário russo de 1917. Pois, para além de sua contribuição à derrubada da autocracia tsarista em fevereiro/março de 17 e sua contribuição à formação e desenvolvimento dos conselhos operários, personagens emblemáticos desta vertente da social-democracia russa, como Plekhanov(7) e Martov(8), são parte incontornável da história das revoluções na Rússia. O primeiro, como um dos principais responsáveis pela introdução do marxismo no país; o segundo, na luta pela criação do Partido Operário Social Democrata Russo, juntamente com Lênin, até a ruptura entre os dois no Congresso de 1903. Adversários primordiais dos bolcheviques no seio da esquerda russa, os mencheviques notabilizaram-se também pelo apego à idéia de que a realização dos objetivos da política socialista na Rússia requeria um intenso processo de educação das massas na experiência democrática como forma de superar o legado do despotismo czarista sobre o imaginário e cultura das massas russas. O estabelecimento da autocracia estaliniana, de certa forma, confirmou suas apreensões. Foram eles os primeiros a prever, já em 1922, um “final bonapartista” para a ditadura bolchevique.
Os esseristas, como herdeiros das tradições do populismo russo, constituíram uma das cristalizações da tendência à valorização do fator subjetivo no processo revolucionário - recuperada e desenvolvida por Lênin em sua teoria do partido revolucionário -, em franca contraposição às concepções economicistas, evolucionistas e deterministas existentes tanto na esquerda socialista russa quanto internacional. Ademais, provém do populismo russo a formulação da idéia de que a Rússia, econômica, política e socialmente atrasada em relação aos países capitalistas do ocidente, poderia ser o ponto de partida do processo de transformações socialistas naquele continente. Tal proposição, apresentada a Marx e Engels pela intelectualidade populista russa do final do século XIX e assimilada por eles em seus últimos anos de vida, seria recuperada, reciclada e atualizada por Lênin.
Através da defesa da posição de que uma revolução na Rússia, entendida por Lenin como o elo mais fraco da cadeia imperialista, poderia deflagrar um ciclo de revoluções proletárias no continente europeu, o líder bolchevique desafiaria as posições marxistas mais ortodoxas, as quais asseveravam que uma revolução protagonizada pelas classes subalternas não poderia ter lugar na Rússia camponesa e retardatária.
O débito de Lênin para com os esseristas adquire dimensão mais visível na formulação da solução lenineana da questão agrária. Já foi observado que o deslocamento lenineano frente à descrença cultivada pela social-democracia ocidental em relação às potencialidades revolucionárias das massas do campo e a defesa intransigente por ele do valor revolucionário da aliança operário-camponesa deve-se, em grande medida, à influência narodniki-esserista sobre o seu pensamento. Em termos mais objetivos, para Lênin a concretização de tal aliança realizar-se-ia no terreno da política através da coalizão entre o partido bolchevique e a esquerda do Partido Socialista Revolucionário e o processo pelo qual se realizaria seria a assimilação, pelos bolcheviques, do programa agrário dos SR, que previa a entrega da terra aos camponeses russos. Posição claramente distinta dos projetos da social-democracia ocidental de socialização ou cooperativização imediata da terra no processo de transição socialista à revelia das aspirações dos pequenos e médios proprietários rurais de acesso à propriedade individual da terra.
A opção pela NEP, a partir de 1922, representou a confirmação, por Lênin, do projeto de construção da aliança operário-camponesa através do reconhecimento do direito do camponês à exploração privada da terra, livre das requisições forçadas e do controle, pelo estado, do sistema de comercialização da produção agrícola, característicos dos anos do “comunismo de guerra”. Mas significou também, de certa forma, o reconhecimento, por parte do principal líder bolchevique e seus colaboradores mais próximos, da pertinência das apreensões disseminadas na social-democracia russa e internacional acerca da existência de obstáculos insuperáveis antepostos pelo atraso russo à aceleração das transformações socialistas no país, no contexto do fracasso das revoluções proletárias da Europa ocidental. Tal reconhecimento convalida, em certa medida, as objeções mencheviques quanto à maturidade da Rússia para servir como ponto de partida para as transformações socialistas no plano internacional e suas apreensões quanto ao risco de se “queimar etapas” no processo revolucionário russo.
O famoso “passo para traz” representado pela NEP, segundo a formulação lenineana, visava, além dos objetivos antes mencionados, desenvolver a base material (fator objetivo) necessária ao posterior processo de retomada da construção socialista na Rússia, o qual, segundo o próprio Lênin, apenas se completaria com o triunfo das revoluções no ocidente.
Com efeito, a oposição menchevique fora a primeira força política russa a formular expressamente uma crítica contundente às medidas econômicas draconianas conhecidas como “comunismo de guerra” desde o imediato pós-outubro e através dos anos da guerra civil (1918-1921). Um de seus principais líderes Fedor Illitch Dan (1871-1949) em seu discurso no VIII Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia (dezembro de 1920), caracterizara o “comunismo de guerra como uma “guerra civil contra os camponeses”, insistindo na necessidade de interrompê-la e iniciar a reconstrução da indústria (capitalista), destruída pela guerra(9). Segundo André Liebich tais críticas,
“(...) se fundamentavam essencialmente em uma caracterização do regime soviético como ‘utópico’, referindo-se tanto à tentativa de impor o socialismo em um país atrasado e abalado pela guerra, como à tentativa de governá-lo com uma minoria revolucionária, em oposição à esmagadora maioria da população, incluídos muitos proletários conscientes”(10).
O corolário político lógico dos sucessos antes mencionados seria a restauração do direito de atuação legal de mencheviques e esseristas, enquanto participantes secundários da obra de construção do estado soviético e de instauração das bases das futuras transformações socialistas. Desafio que Lênin, não obstante a honestidade revolucionária e o espírito autocrítico manifestos na ocasião, não se dispôs a enfrentar. Ainda segundo André Liebich,
“(...) Os mencheviques esperavam que a nova política econômica fosse acompanhada por algumas medidas de liberalização em relação aos outros partidos ou aos sindicatos e sovietes. A NEP econômica não dá lugar, contudo a uma NEP política. Ao contrário, os mencheviques são obrigados à ilegalidade total e o controle bolchevique sobre a vida do país torna-se ainda mais rígido. Os mencheviques, desiludidos da esperança de serem reconhecidos – pelo menos tacitamente – como uma espécie de oposição legal, encontram-se em dificuldade também no plano teórico, já que tinham expresso a convicção de que o regime soviético não poderia manter-se contra inimigos internos e contra os novos elementos burgueses criados pela NEP sem se abrir muito às forças sociais capazes de defendê-lo contra uma virada brutalmente reacionária.(11)
Em seu sentido geral, tratava-se de combinar a construção do consenso social projetado na NEP com o consenso político da “normalização democrática do estado”. A reconstrução do bloco de classes, envolvendo a classe operária, a pequena burguesia e o campesinato, teria sua expressão na convivência política “pacifica”, ainda que conflitiva, entre os partidos bolchevique, menchevique e esserista. O agravamento da enfermidade do líder da revolução de outubro, seu afastamento da direção do partido e do estado e seu precoce falecimento em 1924 retirariam qualquer viabilidade aquele projeto. O triunfo final do programa de industrialização acelerada da economia e coletivização forçada do campo, em detrimento das propostas de Lênin e Bukharin, não poderia produzir outro resultado senão a afirmação das tendências coercitivas e autoritárias no seio do estado soviético e na regulação das relações deste com a sociedade.
Privados da possibilidade da representação político-parlamentar com a dissolução da Assembléia Constituinte no início de 1918 e expulsos dos sovietes (juntamente com os esseristas) e acometidos pelo temor da degeneração bonapartista do regime bolchevique (Martov), a liderança menchevique jamais aderiu à posições contra-revolucionárias, chegando, em decorrência disto, a propor um governo de coalisão com os bolcheviques. Segundo Israel Getzler, na medida em que se acirravam os conflitos entre o governo bolchevique e as forças contra-revolucionárias internas e externas, os mecheviques,
“Adotaram como pressuposto irrenunciável a convicção de que qualquer tentativa de derrubar os bolcheviques pela força deveria ‘passar sobre o cadáver do movimento proletário derrotado’ e, portanto, traria vantagens ‘somente para a contra-revolução’.(12)
Segundo o mesmo autor, orientados por esta avaliação, os mencheviques teriam adotado, ao longo de todo o ano de 1918 uma postura de mediação, procurando evitar o choque aberto entre socialistas revolucionários (esseristas) e os mencheviques. Tal posicionamento “colaboracionista” teria atingido seu ápice,
“(...) no período 1919-1920, quando os mencheviques apoiaram lealmente o regime bolchevique ‘defensor da revolução’, em face dos ataques da contra-revolução branca e das intervenções estrangeiras, denunciando, porém, ‘implacavelmente’ o despotismo e o terrorismo dos bolcheviques, na vã tentativa de induzi-los a uma democratização. A história se concluiu tragicamente em 1921, quando, terminada a emergência da guerra civil e com o rigor do regime bolchevique mais intransigente do que nunca, os mencheviques foram lançados definitivamente no exílio ou na clandestinidade.”(13)
Mencheviques e esseristas, no entanto, cometeram erros gravíssimos. Suas vacilações ante à necessidade de aprofundamento da democracia revolucionária dos sovietes, as atitudes conciliatórias do governo provisório, sua incapacidade de retirar a Rússia da guerra e avançar na resolução da questão da terra, ou seja, seu comportamento não revolucionário em uma conjuntura revolucionária, de certa forma, alimentou o reerguimento da contra-revolução. Por isto, não obstante a necessidade de recuperação dos componentes efetivos de sua contribuição à história da esquerda socialista russa, sua destituição do poder pelos bolcheviques em outubro de 17 foi uma resposta revolucionária e historicamente válida às limitações de sua política. O mesmo já não se pode dizer de sua violenta eliminação das etapas subseqüentes do processo revolucionário e sua erradicação das narrativas históricas.
Como já se disse, foi uma época, na qual as forças dirigentes da revolução procuraram empregar todos os meios para resistir ao assédio hostil das forças intervencionistas externas e da reação interior. Porém, foi também uma época marcada pela pouca ou nenhuma consideração, pelos bolcheviques, da legitimidade da oposição política e do valor positivo do pluralismo partidário no processo de efetivação das transformações revolucionárias.
O fato do estado soviético, constituído com base no triunfo de práticas autoritárias, e do movimento comunista internacional que nele se referenciou terem desempenhado papéis relevantes na animação e no apoio de lutas democráticas, antifascistas e de libertação nacional revela a complexidade dialética destas objetivações históricas, irredutíveis e incompreensíveis à luz de abordagens reducionistas e unilaterais. Porém, pode ser também a manifestação daquilo que Hegel definiu em sua obra como “a astúcia da razão”. É, sobretudo, a meu ver, a confirmação da idéia de que a experiência histórica da transição socialista e do movimento comunista mundial no século XX, embora fortemente condicionada, em certos momentos, pelo fenômeno estalinista, não pode ser reduzida a ele.
Mesmo no interior da União Soviética e conquanto represadas e engessadas pelo sistema de poder estaliniano, a energia e a criatividade revolucionárias soviéticas conseguiram se manifestar ainda que marginalmente e sob formas de coação que, por vezes, não poupou seus expoentes. É o que podemos constatar através da observação das obras de intelectuais, cientistas, artistas e criadores culturais como Vertov, Meyerhold, Essenin e Maikóvsky. Eisenstein, Shostakovitch, Gorky e Makarenko. Vigostky, Bakhtin, Babel, Blok e Pasternak. Ehrenburg e Tarkovsky. Oparin, Luria, Rubinstein e Landau. Excluído da política, o espírito revolucionário soviético se refugiou na arte, na ciência e na cultura, subsistindo tortuosamente no período da autocracia estaliniana e reaparecendo fugazmente nas épocas de interregnos liberalizantes como foram o degêlo Khruschoviano e a Perestroika abortada de Gorbatchov.
Encerrada a experiência histórica da transição socialista na União Soviética, nada mais pode justificar a subordinação do estudo do outubro russo às contrafações discursivas oficialistas ou as falsificações tendenciosas em nome da defesa da revolução. Creio, por isto, que uma necessária releitura de outubro deveria reexaminar os aspectos problemáticos e controvertidos do processo revolucionário à luz das novas fontes recentemente disponíveis nos arquivos soviéticos e em diálogo constante com as tendências renovadoras da historiografia contemporânea. Uma recolocação da trajetória soviética ante o tribunal da história poderia, entre outros temas, avaliar:
1- A justificação de outubro como alternativa revolucionária ao avanço da contra-revolução.
2- O exercício da ditadura revolucionária do partido como resposta bolchevique à intervenção e à guerra civil.
3- As origens, natureza e substrato social do fenômeno estalinista.
4- A contribuição positiva do estado soviético à derrota do nazi-fascismo, seu apoio às lutas democráticas e de libertação nacional nos países periféricos, à luta em defesa da paz e na contenção dos impulsos agressivos do imperialismo.

Cultivo a compreensão de que a tarefa que se nos coloca não é, em primeira instância, a de proferir sentenças ou veredictos, mas de reabrir o julgamento histórico com novas evidências, novas testemunhas e novos argumentos. Porém, acima de tudo, creio que é preciso compreender antes de julgar. Nunca é demais lembrar que a pretensão ao monopólio da verdade revolucionária foi um fator fundamental para o desencadeamento das práticas de coerção, perseguição e eliminação das correntes revolucionárias de esquerda adversárias e/ou concorrentes dos bolcheviques após a Revolução de Outubro. Isto nos alerta para o fato de que todos aqueles que padecem da vertigem da detenção do monopólio de tal verdade se apresentem como fortes candidatos a repetirem, em circunstâncias evidentemente diversas, aquela dolorosa experiência.
A combinação da demanda pelo monopólio da verdade revolucionária com a aceitação acrítica da contrafactualidade como fator explicativo e não de questionamento (o que teria acontecido se, por exemplo, Lênin não tivesse morrido em 1924, ou se Bukharin fosse o sucessor de Lênin em lugar de Stalin, etc.) transforma a aptidão ficcional em critério para a análise histórica. Ainda que tal inclinação seja orientada pelo propósito de refutar as impostações oficiais da historiografia soviética dos períodos estaliniano e brejnievniano e impugnar as mirabolantes contrafações teóricas estalinianas, pode também preparar o terreno para desonestas e arbitrárias manipulações históricas colocadas a serviço da legitimação de projetos políticos “alternativos” porque, via de regra, derrotados na URSS posterior a Outubro.
Por fim, reclamar Outubro hoje, sem se esquivar de seus aspectos problemáticos exige coragem e sinceridade à altura da magnitude histórica do próprio processo reivindicado. São necessárias franqueza e integridade para se repropor uma das grandes questões não respondidas pelos protagonistas e atores das transformações revolucionárias do século XX: como proceder para superar o divórcio, há tanto tempo estabelecido, entre a democracia e a revolução? Para o enfrentamento de tal desafio será estimulante recordar que estes dois temas, que a história do século XX dissociou, encontravam-se organicamente ligados no pensamento e nos projetos dos precursores da tradição marxista no século XIX. Tanto por ocasião das jornadas revolucionárias de 1848, quanto no momento do “assalto aos céus” pelos comunardos de 1871.
Mas, se algum veredicto tiver de ser proferido, entendo que ele deve condenar certas interpretações históricas e narrativas discursivas que, por esquematismo, reducionismo ou desonestidade, tem contribuído para a mistificação da história revolucionária russa, expropriando para certo(s) grupo(s) os dividendos de uma das mais valiosas criações coletivas das massas revolucionárias de toda a história humana.

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Notas:
1- Cf. Marx, Karl. O Dezoito Brumário de Luiz Bonaparte. São Paulo, Abril, 1978, Col. Os Pensadores, p.329.
2- Vsevolod Mikhailovitch Eichenbaum (1882-1945). Intelectual e militante anarquista russo. Ainda estudante participou dos acontecimentos revolucionários de 1905 em São Petersburgo, como integrante do Partido Socialista Revolucionário. Refugiou-se na França em 1907, onde rompeu com os esseristas e aderiu aos grupos de emigrados anarquistas russos. Retornou ao seu país de origem após o triunfo da Revolução de Fevereiro de 1917, atuando ativamente na imprensa anarco-sindicalista e junto ao soviete de Bobrov. Redigiu, por esta época uma “Síntese Anarquista”, que pretendia reunificar as concepções sindicalista, comunista e individualista, vistas por ele como três aspectos do pensamento anarquista. Em 1919 participou de um movimento insurrecional contra o governo bolchevique, sendo detido e mais uma vez enviado ao exílio na Alemanha e na França. Em seu segundo desterro francês colaborou com a imprensa anarquista espanhola, como redator do periódico em língua francesa “L’Espagne Antifasciste”. Faleceu em Paris no dia 15 de setembro de 1945.
3- Nestor Ivanovitch Makhnó (1888-1934). Organizador político e comandante militar anarquista, nasceu em uma família camponesa na aldeia ucraniana de Hulyai Pole. Após a Revolução de 1905 aderiu a um agrupamento anarquista clandestino, participando de atos de expropriação e justiçamento de agentes repressivos. Preso em 1907, acabou absolvido por falta de provas. Já em 1908 sofreu nova captura que lhe acarretou uma condenação à morte, posteriormente comutada em prisão perpétua em 1910. Libertado dos cárceres do tzar pela Revolução de fevereiro de 1917, retornou à sua Ucrânia natal, onde teve atuação destacada na organização de operários e camponeses ucranianos e , mais uma vez, na expropriação das riquezas dos latifundiários e capitalistas. Após a assinatura dos acordos de Brest-Litovsky, Makhnó se engajou na luta armada de resistência contra a ocupação da Ucrânia pelos exércitos austríacos e alemães. Na ocasião estabeleceu uma frágil coalizão com o Exército Vermelho bolchevique, rompida imeidatamente após a expulsão dos exércitos contra-revolucionários do território ucraniano. A Confederação dos Grupos Anarquistas, organizada sob sua liderança rejeitava a organização de partidos políticos, negava todas as formas de estado e de ditadura (inclusive a do proletariado), recusava a necessidade de qualquer período de transição, advogando a auto-gestão operária e a organização dos conselhos operários autônomos. Após cerca de três anos de resistência militar contra as tropas de ocupação germânicas, os exércitos brancos e o Exército Vermelho bolchevique, o exército negro de Makhnó foi derrotado e obrigado e se refugiar na Romênia. Hostilizado pelo governo daquele país, rumou para a França, onde permaneceria até sua morte por tuberculose em 25 de julho de 1934.
4- As origens dos esseristas russos remontam às últimas três décadas do século XIX, marcadas pela intensificação das ações de grupos de oposição à autocracia tzarista. Entre os vários grupos de democratas-revolucionários, libertários e as primeiras organizações marxistas, destacava-se uma vertente que tinha no terrorismo político uma marca destacada de sua atividade. Outra de suas característica era a defesa da idéia de que a regeneração da Rússia passava pela adoção de um sistema de organização socialista baseado na exploração comum da terra, tal como verificado na experiência da comuna agrária russa, o mir. O que significava que, para eles, a Rússia poderia evoluir em direção ao socialismo, sem a necessidade do desenvolvimento das relações capitalistas no país. O mais importante agrupamento desta vertente chamava-se A Vontade do Povo (Norodnaia Vólia, em russo). Deriva desta nomenclatura a designação “partidários do povo” ou “populistas” (em russo narodniks). Em 1901, os diferentes agrupamentos narodniks espalhados pelo território russo decidiram se unir em um único partido, ao qual denominaram Partido Socialista Revolucionário (Partija Socialistov-Revoliucionerov, literalmente, Partido dos Socialistas Revolucionários), ficando a partir de então conhecidos como “esseristas” ou SR. Identificando no campesinato a força motriz da revolução russa, os esseristas se tornariam, nos anos que antecederam as revoluções russas de 1917, a força de esquerda com maior enraizamento junto às massas do campo. Entre os meses de fevereiro e outubro de 1917 o partido se dividiu: uma ala aderindo aos bolcheviques e outra participando do governo provisório.
5- Mencheviques e bolcheviques, como se sabe, eram duas vertentes da social-democracia russa. Divididos politicamente quando do segundo congresso do Partido Operário Social Democrata Russo, em 1903, em razão de uma polêmica a respeito dos estatutos, separar-se-iam organicamente em 1912, sem, contudo abdicarem do uso da mesma denominação partidária. Nos dias que antecederam à insurreição armada protagonizada pelos bolcheviques, uma fração de esquerda do POSDR (menchevique) se aliou ao POSDR (bolchevique). Após o fechamento da Assembléia Constituinte pelos bolcheviques, em 1918, os mencheviques se reunificaram politicamente, convertendo-se em uma força de oposição ao governo dominado pelos bolcheviques.
6- Acordo de paz entre a governo revolucionário russo e o Império Alemã, o que concretizava a saída da Rússia da guerra, tal como prometido pelos bolcheviques em atendimento às demandas das massas populares russas. Tal acordo cedia grandes extensões de terra do antigo império czarista ao império alemão, inclusive boa parte da Ucrânia, sendo, por isto, motivo de intensas controvérsias no interior do partido bolchevique e do governo soviético. Descontentes com sua assinatura, os esseristas de esquerda retiraram seu apoio ao governo e assassinaram o embaixador alemão em Moscou, o que determinou sua colocação na ilegalidade e a adoção de medidas repressivas pelas autoridades do estado russo.
7- Georg PLEKHÁNOV (1856-1918), Um dos principais teóricos e propagandistas do marxismo, Plekhánov fundou o primeiro grupo marxista da Rússia, em 1883, o Emancipação do Trabalho. Considerado o pai do marxismo russo, foi perseguido pelo czarismo e esteve exilado por diversos anos. Plekhánov também lutou contra o anarquismo e o terrorismo. Lênin, o chamava de “o pai do marxismo russo” e considerava sua obra o que existia de melhor no campo da filosofia do marxismo e do materialismo histórico. Adepto da corrente majoritária no POSDR (menchevique), Plekhánov se opôs a conquista do poder pelos bolcheviques russos. Um decreto assinado por Lênin logo após o triunfo revolucionário de outubro, assegurava a inviolabilidade da pessoa e dos bens deste destacado social-democrata russo. Faleceu em Moscou em 1918.
8- Yuli Osipovich Tsederbaum (1873-1923), Nasceu em istambul (Turquia), em uma familia de classe média russa na emigração. Foi um fundadores, juntamente com Lenin, do Partido Operário Social Democrata Russo. Rompeu politicamente com Lenin, quando do II Congresso do POSDR em 1903, sendo o propositor do item dos estatutos que provocaria a cisão entre mencheviques e bolcheviques. Nos anos seguintes, se tornaria uma das lideranças mais destacadas da tendência menchevique da social-democracia russa ao lado de nomes como Plekhanov, Dan e Tseretelli. Embora tenha se oposto a decisão do governo provisório integrado por seu partido de manter a Rússia na guerra, não apoiou a derrubada do mesmo pelos bolcheviques. Liderou a oposição menchevique na Assembléia Constituinte durante seu curto período do funcionamento. Apesar de haver apoiado as ações do exército vermelho contra os exércitos brancos durante a guerra civil não conseguiu reverter sua marginalização política. Antipatizado por Trotsky e outras lideranças do estado, seguiu para o exílio na Alemanha em 1920, de onde passou a redigir o Mensageiro Socialista, que seria o jornal oficial dos mencheviques no exílio por vários anos. Faleceu em 1923.
9- Cf. Liebich, André. “Os mencheviques diante da construção da URSS”, in Hobsbawn, Eric J. (org.). História do Marxismo, vol. 7. Tradução de C. N. Coutinho, L. S. Henriques e A. R. Coutinho, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1986.
10- Idem, pág. 347.
11- I dem, pp 347-348.
12- Getzler, Israel, “Martov e os mencheviques antes e depois da revolução”, In Hobsbawn, Eric J. (org.). História do Marxismo, vol. 5. Tradução de C. N. Coutinho, L. S. Henriques e A. R. Coutinho, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1985.
13- Idem, ibidem.

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Muniz Ferreira é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

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